Pular para o conteúdo principal

Confidence


 

  Abria os olhos quando os primeiros raios de sol rompiam a janela que funcionava como obstáculo. Era um novo dia, mas os sentimentos eram os mesmos. Acordara, mas ficara mais um tempo na cama pensando nele, o velho hábito.

  Não importava o que acontecesse, o sorriso ainda aparecia depois de tudo, mesmo quando a saudade latejava no peito. Quase um ano e as lembranças dele ainda permaneciam vívidas.

 Considerava a saudade um paradoxo, ao mesmo tempo quer era ruim pois doía e fazia com que os olhos pesassem, trazia de volta o sorriso que aliviava sua alma.  Não era fácil tentar acalmar e manter-se calada sobre tudo o que sentia.

  Lembrava de como ele a segurava com firmeza e de como não conseguia controlar seus pensamentos quando isso ocorria, fechava os olhos para tentar amenizar a ausência do rapaz. Em vão.

  "Um dia de cada vez."- pensava.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Immoral Soul

 Os corpos que iam de encontro um com o outro. Revelando o magnetismo que era disfarçado quando encontravam-se vestidos. Os olhos que se fechavam, os suspiros interompidos por gemidos denunciavam o prazer de estar com ele. E o tempo que voava.   A pele queimava, as mãos e pernas que se entrelaçavam com as dele. O perfume que o suor do sexo oposto exalava. Tudo me fazia querer repetir tal ato. O descompassar dos pensamentos ao contemplar aquela nudez, tocar o que via, senti-lo entre minhas mãos, fazia com que meu pulmão enchesse de ar, expirava e entre perdição e toques, algumas palavras eram soltas vagarosamente, ficavam perdidas e presas entre quatro paredes.     Ele puxava meu cabelo com delicadeza e firmeza. A antítese concreta. O corpo era induzido a dançar pelo silêncio que se fazia presente, que era apenas interrompido por gemidos ou palavras breves. E à meia-luz, como era magnífica! Transformava aquele corpo que estava diante a mi...

"...Do teu beijo que me inflama"

  Beatrice tinha medo do que ocorreria. Tinha medo de que fosse inevitável apaixonar-se por Vinicius. Não eram iguais, não eram em todo diferentes, havia uma sincronia de pensamentos, toques e olhares. Tudo era tão simples e acontecia tão naturalmente que começava a desconfiar dessa felicidade que sentia. Como na leveza de passos de samba, ele sabia conduzi-la. Encantador. Percebeu que não tinha como fugir do que tanto afligia. Já tinha caído na armadilha. A menina era um pardal assustado.   Los Hermanos era insuportável para ela, mas quando estava com ele no pensamento ou  pessoalmente, deliciava-se com aquele ar melancólico da banda. O toque das mãos dele revelava sensações nunca sentidas antes, aquele arrepio no corpo que só conseguia sentir com ele. Às vezes, apenas a presença do rapaz era necessária para conduzir correntes elétricas na pele da moça. A boca de Vinicius fora moldada pela dela, era a única certeza que tinha. ...

Knife

A saudade a deixava confusa. Gostava das lembranças que invadiam cada pedaço de sua mente, mas estranhava aquele vazio no estômago. A memória encharcada de lembranças permitia que relaxasse.  Tomou mais um gole da cerveja, deixou a playlist rolar, fechou os olhos, tentou limpar todas as recordações da cabeça. Tentou. Intento falho: sempre desistia quando lembrava de como se perdeu ao fixar seus olhos nos dele e das palavras ditas antes de ligar o carro e partir. Esboçava assim, um sorriso.  Ainda sentia o peso de coordenar todos aqueles sentimentos. Dizia para si que mudar era bom, mas era complicado lidar com algumas coisas novas. Estava satisfeita. A tarefa tornava-se árdua por vezes.  Segurar as lágrimas não era uma missão fácil. Desistiu e se entregou ao que a consumia. Pensou em escrever. Preferiu descansar a cabeça. Deitou e percebeu que ainda faltava algo, sabia o que era. Suspirou, a insônia ainda a perseguia. Beatrice só queria se livrar daquela sa...